Núcleo de Apoio à Pesquisa – MUDANÇAS CLIMÁTICAS

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Saúde - vulnerabilidade e adaptação no contexto da saúde ambiental

A atividade humana está alterando substancialmente as condições ambientais e consequentemente a saúde da população. Agravante a esta situação são as incertezas e riscos associadas às mudanças climáticas em termos da ocorrência, intensidade e frequência de eventos extremos.

A melhoria da saúde ambiental e da qualidade de vida dos habitantes de uma determinada localidade está vinculada à criação de espaços ambientalmente saudáveis, que devem ser contemplados no planejamento urbano e inseridos nos programas de promoção da saúde (KRINGS e ROSSIN, 2008).

Em linhas gerais, há três principais vias dos impactos à saúde gerados por mudanças climáticas: a) efeitos diretos dos eventos climáticos extremos: traumas físicos e psicológicos como consequências de eventos climáticos; b) efeitos sobre o ambiente: a qualidade da água e ecologia de vetores de agentes infecciosos. c) efeitos sobre os processos sociais: migração de grupos populacionais, desencadeada por secas prolongadas ou sucessivas enchentes e deslizamentos (IPCC, 2007).

Tais efeitos possuem estreita relação com a forma de construção social dos espaços e apropriação do ambiente, em que populações tornam-se cada vez mais vulneráveis. Assim, os processos de adaptação às mudanças climáticas relacionam dimensões social, cultural, econômica e ambiental em diferentes âmbitos e escalas. Desse modo, as desigualdades socioambientais, a rápida e precária concentração populacional nas cidades, a ocupação de áreas de risco, a emergência e reemergência de doenças infecciosas, o surgimento de riscos associados à modernidade e demais aspectos permeiam de incertezas as possíveis dimensões dos efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde da população, especialmente em países em desenvolvimento (MCMICHAEL, 2003). Para lidar com as incertezas inerentes às relações ambiente-saúde, propõe-se a emergência de uma ciência da precaução, que deve se fundamentar na ampliação do processo de produção de conhecimento abrangendo a sociedade e tomadores de decisão, capaz de incorporar distintos modos de saber e de difundi-los devidamente, possibilitando-se interagir com fatos imprevisíveis que podem ser portadores de consequências severas, de grande amplitude e irreversíveis (RAVETZ, 2004).

Desta forma, em uma breve aproximação ao contexto de políticas públicas brasileiras, a implementação da Política Nacional sobre Mudanças Climáticas (BRASIL, 2009) possui interfaces necessárias com leis federais como: Estatuto das Cidades, Saneamento Básico, Habitação Social, Promoção da Saúde, Meio Ambiente, Defesa Civil, entre outras.

Para tanto, a participação da sociedade emerge como meio de inserção social na elaboração, implementação, monitoramento e avaliação de políticas públicas intersetoriais frente às mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, este processo propicia a mobilização de outros setores e exercício democrático de cidadania. Três são os desafios principais para este processo frente às mudanças climáticas: 1) inserir a população nestes debates, já que, a participação social hoje permanece com entraves educacionais, culturais, sociais, econômicos e políticos; 2) fazer com que as comunidades mais vulneráveis a estas questões possam empoderarem-se ao ponto de adaptarem-se às mudanças climáticas que tenham ou venham a ocorrer e 3) Contribuição acadêmica ao processo decisório por meio de subsídios e estratégias direcionadas a incorporação de princípios precaucionários nas políticas públicas que interagem com saúde e ambiente.

Apresentação do grupo e questões científicas

A pesquisa do grupo que aqui se apresenta fundamenta-se no estudo das inter-relações Ambiente-Saúde, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo em que a produção de conhecimento pauta-se pela interdisciplinaridade, resultado da necessidade epistemológica e exigência da realidade contemporânea diante de desafios complexos (PHILIPPI JR, 2010).

Desta forma, as questões científicas aqui pontuadas são:

  • Qual conjunto de indicadores de saúde ambiental e saúde são capazes de caracterizar a vulnerabilidade humana frente às mudanças climáticas?
  • De que modo as políticas públicas relacionadas ao enfrentamento das mudanças climáticas são elaboradas, implementadas, monitoradas e avaliadas?
  • Como inserir a população na arena política de enfrentamento das mudanças climáticas? Como construir autonomia para adaptação às mudanças climáticas?
  • Como se constrói a interdisciplinaridade em pesquisa aplicada na área de governança e gestão ambiental, tendo em vista – nas esferas das diversidades de saberes e interpretação da realidade complexa – o desafio do trabalho conjunto dos pesquisadores?