Núcleo de Apoio à Pesquisa – MUDANÇAS CLIMÁTICAS

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Adaptação das cidades à mudança do clima na microescala. Contribuições da Arquitetura e Urbanismo a uma abordagem interdisciplinar

A questão central do trabalho é o papel do ambiente construído no microclima urbano, em diferentes escalas: metropolitana, local (escala do pedestre) e dos edifícios, abrangendo o planejamento, o desenho urbano e o projeto de edifícios na adaptação à mudança do clima na microescala, como parte da estratégia de climatização urbana. A proposta é intervir sobre a cidade existente, tendo em mente os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (UN/HABITAT, 2015), conciliando o adensamento urbano e as amenidades microclimáticas nos espaços abertos e nos edifícios. Ressalta-se o protagonismo das cidades na adaptação ao clima e a participação essencial da Arquitetura e do Urbanismo como parte de equipes multidisciplinares para o desenvolvimento da ciência da adaptação climática em cidades bem como para a proposição de políticas públicas. O objetivo é quantificar de forma conjunta os impactos no microclima urbano, atual e futuro: 1) do adensamento urbano; 2) da envoltória dos edifícios e demais superfícies urbanas; 3) da vegetação e sua inserção urbana; 4) bem como o desempenho térmico e o conforto térmico no interior dos edifícios, seja durante os eventos ainda episódicos de ondas de calor, ou mesmo nos cenários previstos de mudança climática, se mantidos os cenários de emissões atuais. O método proposto inclui, para as duas escalas, urbana e dos edifícios: 1) Levantamentos e/ou produção de mapeamentos para identificação das áreas de estudo; 2) Planejamento do trabalho de campo em função dos recursos e restrições dos modelos a serem adotados, 3) Levantamento de dados primários na escala urbana de solo, de vegetação e da atmosfera no nível do solo e no topo do modelo, a serem obtidos por medições microclimáticas de superfície acopladas a dados de sensoriamento remoto (SR) e sistemas de informações geográficas (SIGs), e por medições de variáveis ambientais na escala dos edifícios; 4) Modelagem das áreas de estudo reais; 5) Validação e calibração dos modelos entre dados medidos e simulados; 6) Realização de estudos paramétricos, a partir dos quais são selecionadas as melhores estratégias para as simulações de diferentes cenários para os casos reais, nos cenários climáticos atuais e futuros. Os resultados esperados incluem a quantificação dos impactos do adensamento, da vegetação e demais superfícies urbanas no microclima, bem como os efeitos das estratégias de adaptação à mudança do clima propostas para áreas urbanas e edifícios, no clima atual e futuro. Ao final, a meta é avançar nos estudos preditivos de diferentes cenários que possam contribuir para a assimilação dos resultados em políticas públicas e que possam se traduzir em benefícios socioambientais para a população, com insumos para a legislação existente e/ou proposição de novos instrumentos urbanísticos.